terça-feira, 2 de setembro de 2008

Casa Vazia



Permanece aqui, teu

não

Cravado a ferro e flor

diante do que a respiração não sana.


Precisar de mãos é pouco,

é pouco precisar de fogo e pão.


Correr é muito pouco diante da separação.


Será preciso mudar de país,

devolver as fronteiras à imaginação,

recolher o que ficou pelas bordas dos ossos.


Retornar a infância pra esquecê-la,

recorrer ao atalho pela ausência.


Expulsar os demônios pelo sótão e

ainda ter forças para arrumar as malas.


Já não me pertenço para amá-la.


Agradeço as traças que foram fieis

aos passos.

Ao ver asas no bafio

do que ficou velado.


Pois partir já não posso.

Não assim,

com a morte entre as vísceras.



sábado, 23 de agosto de 2008

Finis Terra

Em imagens que buscam uma memória vigorosa, Mariano Klautau Filho elabora um imenso poema visual


Quanto mais poético, mais verdadeiro.”

Novalis


A memória sempre foi um tema caro para a arte, de santo agostinho a Proust. Dificilmente um artista não vai soluçar sua infância diante de sua antiga residência. Serviu de inspiração, por exemplo, ao famoso canto “versos para a noite” do herói romântico Novalis e peça chave no idealismo alemão.


Finisterra, do fotografo e professor Mariano Klautau filho é um convite ao deleite delicado das marcas humanas pelo cosmo da residência. Um convite aventureiro para ser a própria respiração, se juntar ao artista para assim conceber juntos a matéria do olhar cuja reverberação se amplia e também abraça a contemporaneidade. Seu dialogo com a tradição é igualmente profícuo e desvelador, onde tempo e memória são uma única coisa em constante devir.


Finisterra não cedeu ao apelo nostálgico das experiências anteriores das artes plásticas brasileiras. Não é um pretexto para rever o menino que o autor foi, ou o homem que poderia ter sido.


São imagens abertas a redescoberta do olhar, sensíveis ao anseio da instrução do olhar, ora nos mostrando a habitação desenraizada, preparação ao eterno, ora aérea, nave e pássaro que migram com seus moradores. Ora nos levando ao reencontro da fantasia, contaminando o espaço pela imaginação presente nos lençóis espalhados pela casa, antecipando o gozo, frestas que se abrem magnéticas para o infinito da memória, rostos que contemplam - nunca contemplados, simbolizando a própria anulação do eu em função do gosto da reminiscência.


A eletricidade das cores é algo perpassa o todo de finisterra, conduzindo o espectador a um jogo quase onírico de transportação para o sonho. Imagens que se entrecortam como um grande mosaico da solidão contemporânea. Isso se reforça com a imagem tocante de homem lendo, evidenciado por Walter benjamim como o mais perfeito retrato deste desolamento.


Ele exerce uma fenomelogia da observação. A memória sempre fora, transfigurada em símbolo, Uma metáfora de lugar. Não chega a praticar suas vivências e se expor às confissões. Não é seu lugar, mas qualquer lugar.


Neste sentido, existe uma ontologia sonhadora, com inclinação filosófica e metafísica, de enxergar cada vez mais no que a memória se transforma, contorná-la como uma ilha, problematizá-la, e não perdoá-la pelo hábito de conhecê-la como faria seu residente. Atento e provisório à maneira de um hóspede, abstrai o que é doméstico, jogando com a dialética para não mergulhar na tentação de ficar.


Mariano anseia aproximar-se afetivamente do mundo, deseja fortemente emprestar o rosto para dividir as lagrimas como um poeta e sua lira. Pode estar em um quarto de hotel, num bar, no fim do mundo com os mesmos olhos famintos de poesia. É um ser que padece do olhar.


Talvez o próprio Novalis se sensibilizasse ao ver que seus versos iluminaram uma época tão remota quanto humanamente decadente. Creio que os românticos são as melhores companhias nesta finisterra, de mariano. Cujo tema foi tão caro ao próprio Novalis, onde se ver uma apreciação mítica da realidade, aonde o destino humano, seu vir-a-ser expresso no irresistível retorno à condição anterior à queda - só adquire sentido a partir da visualização do passado, e da restituição deste através da rememoração mítica e poética. Novalis, através da poesia eternizou a presença de sua amada morta prematuramente, redescobriu a vida através de seu olhar interior, como em todo mergulho profundo é necessário da restituição do ar na superfície. Como nos diz:


“O Passado em rica florescência, no qual
Antigos troncos geraram o fruto glorioso;
E as crianças em busca do mundo futuro,
Buscaram a vitória sobre a dor e a morte”.

(hino VI)


É licito pensar, através de finisterra, que a arte vem a cada dia substituindo e deslocando a reflexão filosófica - metafísica para a poesia e seus objetos, que igualmente a historia sendo

substituída pelo romance, pelas narrativas e percepções demasiadamente humanas.


Finisterra oferece um interessante exemplo de como regredir a borboleta em libélula e ainda voar.




terça-feira, 22 de julho de 2008

Suspensa


Minha amiga
passeia sobre a casa
com seu olhar primeiro,
com seu mistério amoroso,
suas chaves de ouro.


Desenho seu corpo em meu sono.
Limpo o sal de seu rosto
sobre a toalha mais limpa.
Sob verões, frutas e pedra
desenho seu traço
- um pássaro que aperfeiçoa o amor.


Minha amiga
permanece suspensa
na mesma tarde
em que o gesto imitou
a cor do amanhecer.


Na casa,
que penso ser minha,
meu coração abraça seu coração.


Um dia minha amiga não voltou.
Perguntei ao porteiro: a viste?
Ao PM: a viste?
Ao engarrafamento: a viste?
Ao trem que passa...


Ficaram o ouro da gaiola,
o bater das portas,
suas roupas espalhadas pela minha vida
sendo a minha própria e definitiva casa



quinta-feira, 17 de julho de 2008

O poeta dançarino fala sobre o amor...


Caro leitor, permita-me compartilhar, com imensa alegria, do cantar de um poeta dançarino, que também é música silenciosa, cujos versos iluminaram e iluminam a reflexão sobre o outro, sendo fonte incessante de mistério e deleite poético. Trata-se de um dos maiores poetas místicos que humanidade vislumbrou: Rumi, ou Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī.



Rumi nasceu onde hoje é o Afeganistão e morreu na Turquia, em 17 de dezembro de 1273. Acreditava que o exercício do amor era essencial para o amadurecimento e aperfeiçoamento dos seres humanos. Pregava a tolerância, a bondade, a paciência, a calma e a compaixão incondicionais.



Eis um gostinho de Rumi para iluminar este blog:



Vem.

Conversemos através da alma.

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes,

sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos,

sem língua, sem lábios.

Sem abrir a boca,

contemo-nos todos os segredos do mundo,

como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos

que só são capazes de entender

se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.

Já que todos somos um,

falemos desse outro modo.

Como podes dizer à tua mão: "toca",

se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.





sábado, 28 de junho de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

VICTOR


Meu amigo Victor - acho q nunca disse que passei (a) mar mais a vida quando conheci você. Temos cinco anos de odisséia e sempre foi uma vida a percorrer nossos nascimentos. Uma vida, graças a sua coragem de me buscar e nunca me deixar sozinho com meus problemas.


Quero hoje lembrar de sua generosidade. Quero hoje deitar minha memória nos ombros de Ulisses e encontrar o caminho da reminiscência.


É natural esquecermos o passado, ou quando não, ser displicente pela pressa dos compromissos, pela arrogância das ruas engarrafadas. Talvez pela pressa de trocar a roupa e ir ao trabalho.


O amigo que me defendia ao menor desentendimento. O amigo que me chama de poeta para me dar força. O amigo que nunca me deixou sem ver os melhores concertos do universo. Que me fez descobrir o verdadeiro sentido de jogar futebol. O amigo que me ligava todos os dias e pedia por mim em oração. O amigo que me dava conselhos pra não fazer feio diante do mundo. O amigo que me ensinou como se ama as mulheres.


O amigo que organizou um curso de literatura pra mim. O amigo que eu chamava de Orfeu e recitava poesia em voz alta. Que me fazia refletir sobre a amizade. Que foi Neruda nas viagens. Que dividia comigo cada passo seu. Que me ensinou que livros podem ser guardados no coração. Que organiza festas de despedidas. O amigo que me apresentou José Ingenieros. O amigo que me presenteou com Montaigne. O amigo que me levava às suas aulas. Que ouvia os meus conselhos. Que fechava os olhos nos concertos. O amigo que nunca demorou em chorar na minha frente. Que me consolava ao perder amores. O amigo que era bonito na foto e fora da foto. Que não fazia reservas para fazer amizades. O amigo que me levava pra beira do rio e lia o texto mais bonito. Que é alegre como uma casa de praia. O amigo que se preocupava com aminha aparência. Que escrevia epopéias numa dedicatória. O amigo que passou em primeiro lugar na prova de intercambio do instituto Goethe. Que é bolsista do mestrado da PUC. O amigo que é mais poesia que a poesia que escrevo. O amigo que mora na rua da minha memória esquina da soledad. O amigo que aumenta suas historias com sua vontade de amar...


O amigo que flana nas ruas do mundo.


Que não importa onde esteja estará sempre ao meu lado.


Eu nunca esquecerei sua amizade para lembrá-lo que nasci – alem do ventre materno – de sua alegria de viver




sexta-feira, 9 de maio de 2008

Regras para André (em peixe-boi)


1. Procurar orquídeas no mato.

2. Rachar lenha.

3. Ascender a lareira e ficar olhando o fogo.

4. 1 garrafa de vinho aos sábados.

5. Olhar as mulheres.

6. Acariciar o próprio corpo.

7. Fumar charutos e não cigarros

8. Comer fruta pão.

9. Passar a língua nos lábios

10. Um dia de silencio

11. Usar calça de veludo

12. Cachecol.

13. Ler poesia para passarinhos.

14. Abraçar árvores

15. Escrever os sonhos

16. Ouvir Bach

17. Andar a cavalo

18. Deitar na relva

19. Espalhar frutas pela casa.

20. O melhor sabonete no banheiro.

21. Observar os cabelos das pessoas.

22. Dançar na frente do espelho

23. Caminhar de uma a outra cidade

24. Andar descalço

25. Usar chapéu aos domingos

26. cozinhar

27. Poesia em voz alta.

28. Apaixonar-se por uma dançarina

29. Chorar no banco da praça.

30. Comprar flores do menininho

31. Cuspir nos cadilaques

32. Poesia na areia

33. Jogar flores no rio e fazer um pedido.

34. Dançar tango

35. Ver o dia nascer

36. Apaixonar-se pelo crepúsculo

37. Rasgar alguns livros.

38. Comer sempre a luz de velas.

39. Ser amigo.


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

escrito


Perigo é sentir a respiração da casa.
Estar no molde entre – aberto
dos pés na madrugada.
Tocar o cinzeiro da neblina
enquanto a cisterna encontra chaminé...
Dizer eu te amo dormindo.




O encontro

Para ser lido ao som de primavera de Zé Miguel Wisnik


Como numa manhã de julho em que sol nasce devagar e as aves pintam longamente suas danças sobre o céu, como uma música que se ouve ao longe e que traça o ritmo das ondas. Mesmo um livro que se lê na secreta intenção mística de se saber como será o restante do dia. Como numa manhã de primavera, eu deslizo na estrada que me conduz ao aeroporto.


Aqui, neste veiculo em movimento enumero as recordações não vividas e o pouco do muito que poderia ser. Por vezes, entre o asfalto e a neblina, estes pensamentos me vêem como um arrebatamento sem dor. Nesta mesma rua se corporifica o meu desejo de neste instante ser nada, baixar os faróis em estrada florescida, na companhia de Ana, enquanto o dia surge implacável; poder enxergar pelas mãos...


Poderia ser mais um dia não fosse o amor, Eros e suas flores, poderia ser objetivo e fraco não fosse essa vertigem quando se precipita a chegada. Poderia mesmo ser tênue. No entanto, os galpões se erguem e pousam no céu sua imponência, a mesma que me distrai na ante-sala do encontro com Ana.


Ao sair da maquina quem me saúda é o barulho interminável de jatos cortando a neblina, uma música azeda, pessoas acenando para o céu. De longe é possível ver os rastros dos que passam dos que chegam... Feliz de mim, pois não vim me despedir de ninguém. Sob passos frios e olhar longe, pretendo ser quase invisível neste instante, pois a atmosfera de tédio, e o horror da espera se precipitam nos passos abafados, no olhar sonâmbulo, nas filas...


Vozes pelos corredores se naufragam e perdem-se no ar. Mais adiante, as maquinas não admitem risos.


E, então, Ana dissera aquela frase, sem nenhuma expectativa, assim de repente. Ana dissera aquela frase, a nossa frase, secreta frase... E eu ali perdido, e eu ali sem saber. Avistou-me desde o primeiro momento, gostava de me observar. Como uma música silenciosa, sua voz, que reconhecera imediatamente, me leva em seu bolso.


“Você me aproxima de mim”, confesso ao abraçá-la. E de novo, entre risos, aquela frase me transpassa o peito: a voz de Ana, como uma lança. A sorte que o amor é invisível.


“Eu já disse hoje que te adoro”, ela repete nossa frase como um prêmio, uma recompensa, um segredo...


Depois me explica longamente porque não me abordou imediatamente, porque me deixou naquela selva escura, alimentando um rio de saudades presente numa foto três por quatro e confessa ansiar por me beijar com os olhos, decorar os passos, os traços, a expressão, sem servir para nada, apenas para regar seu amor... Porque o primeiro beijo sempre se da com os olhos.


Então ligo o automóvel e deslizo pela estrada...


Agora tudo é caminho de volta. É chegada a hora de ser, depois de ter. É quando Ana refaz os passos da viagem: o céu cinzento, aquele jardim, os passeios crepusculares, o horizonte que se espelha na água, os bancos da praça e as suas fotografias espalhadas pela minha vida, as mesmas que agora ela recorda em voz alta. A mesma que me faz cantar longamente: “eu já disse hoje...”. A mesma que sopro em dias como este, em dias de primavera.



sexta-feira, 21 de setembro de 2007

eu não aceito

foto de Mischa Gordin

“Por polidez perdi minha vida...”.
Rimbaud

É sempre difícil aceitar algo. Qualquer coisa que seja, por menor, por mais misteriosa, por mais aceitável que possa aparecer.

A satisfação é o aperto que se consome a solidão que se ameaça.

É certo que o coração e a alma humana têm razões suficientes e inalcançáveis, cujo entendimento aos deuses pertence.

Não procuro aceitar, render as armas roubadas, reconhecer o cheiro da despedida.

O mar se encarrega por apagar o que foi escrito na areia. Mesmo as pegadas.

A não aceitação da vida requer o don de estar alem do homem. É acreditar que o ser humano pode ser mais.

Reconheço imediatamente a voz das pessoas que amo, o ritmo imediato do suspiro é como o suave ritmo das cartas sendo embaralhadas A festa do olhar ao reconhecer o sentir da visão Olhar também é amar, beijar...

Reconhecer é não aceitar, é acreditar que a vida pode ser melhor.

De manhã quando o azul me descortina para o dia, sinto a suave doce música que se expande no universo ao meu redor.

As folhas que caem no quintal e o vento que não as deixa caírem, totalmente.

Reconheço o esplendor desta manhã, sua música silenciosa; Acontece que sempre arranjo um jeito de renegar a despedida, de não aceitar sua partida.

O Filho nunca quer separar-se dos pais...

Às vezes grito, esperneio, corro e seguro as pernas do dia, tropeço na rua e fecho os olhos

A dor rapidamente se expande, desconhece escândalos, recusa principiantes.

Contudo, se ela aparece eu não a abandono, eu não a aceito. Quero educá-la

Conversar, convidar pra jantar fora, se não ela rói as outras lembranças, aperta os nós dos pés fincados ao chão.

Mas, existem dores que se recusam, agressivas, que nos mostram o quanto a poesia pode ser fútil e desnecessária. Há dores que nos mostra o quanto somos inexplicavelmente insignificantes.

Foram poucos os momentos em minha vida que renunciei a tudo que havia vivido. Foram poucos os momentos em minha vida em que me divorciei da fala. Talvez quando meu cachorro, Alff, morreu sem despedida. Quando o aniversario passou batido

É como estar debaixo d`água sendo levado pela correnteza. Quis entregar as cartas, finalizar o jejum, a dor se encarrega de falar, ela fala por si.

Como na traição.

Uma dor que renuncia a fala. Onde tudo que foi levado a serio torná-se amargo, onde as palavras que foram sacramentadas convertem-se em palavrões, onde a única coisa que realmente se quer é nunca ter vivido o que se viveu.

Tenta-se em vão cicatrizar as feridas. A dor desconhece elixir, essências...

Traição não é assunto de Deus. É assunto privado da carne.

Não existe permissão para os ouvidos, para a alma se enlevar novamente com as músicas, poemas, cartas...

A traição deveria ser alfabetizada, permitir rascunhos, ordenar despedidas. No entanto, é violenta e não admite ser menos importante que o amor.

Ser traído, porem, é não perder, ainda, a esperança do amor. É saber-se fiel a si.

Ser fiel a si é desejar ler de manhã e viver o que se lê à tarde. E aceitar que existimos pela poesia. É saber que a existência pode ser mar no ocaso, que o ser humano pode ser alem, muito alem, de ser humano.

Não aceito, estou certo que não aceito: traição, deslealdade... Não aceito a própria vida. Por isso escrevo, trabalho, pinto, faço musica, choro, fico triste. Não aceitar pode ser a única forma de recuperar a vida. Criar é não aceitar.

Quando desato os nós que me prendem no chão, quando esqueço o caminho, é quando de repente estou casado novamente com a fala, com a vida.

Hoje, vendo o dia nascer, percebendo sua clarividência, os raios iluminando o rio, ansiei eternizar este momento. A poesia novamente me salvou, os versos escorreram em minhas mãos, as facas do poema moldaram o dia. Eu e a manhã casados novamente.

As leis da vida são outras. Aproximo-me da verdade por meio do amor. Desato os nós que embrutecem os pés e posso voar, como nos labirintos sagrados do amor, como nos diz Paul Celan: “Eu sou o Maximo de mim quando sou você...”.


Elogio da distancia (Paul Celan)


Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.

Aqui, coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:

Mais negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou o Maximo de mim.

Na fonte dos teus olhos
ando a deriva sonhando o rapto.

Um fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.

Na fonte dos teus olhos
um enforcado estrangula acorda



quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Um Canto



Uma escola abandonada...

as flores
desabrocham
sem beijos

A chuva que alaga a memoria...

as flores
levedam
os caminhos

Trago o ouro e o mel...

as flores
engolem
o firmamento